Enfermagem Veterinária · Humor

O Natal do Enfermeiro Veterinário

Chegou o Natal!!! Finalmente chegou a época de partilha, amor… PAZ!! OU NÃO!!

Desde que me iniciei na “vida artística” de enfermeira veterinária, que os presentes e os doces são a ínfima das minhas preocupações nos dias que antecedem o Natal! Ah as saudades que eu tenho de me stressar com o presente da tia-avó, que nunca gosta de nada… As saudades que eu tenho de ter dores nas pernas de tantos shoppings bater de ponta a ponta para encontrar aquela prenda para a cara metade, que eu até já tinha decidido qual era em Julho, mas que não consigo encontrar em raio de loja nenhuma… Aaaah (suspiro) bons velhos tempos!

Agora leva tudo com uma prenda comprada num qualquer hipermercado, onde fui buscar alguma coisa para jantar antes de desmaiar! Muito provavelmente a prenda será bebível! Até as criancinhas levam com garrafas… Especialmente as que me dizem “Quando for grande quero ser enfermeira de animais como tu!!”. A sério, guarda essa garrafa para quando cresceres! Vais precisar dela quando chegares a casa depois de um qualquer dia de trabalho em Dezembro…

O mês de Dezembro… O doce mês de Dezembro…

O mês dos banhos e tosquias de URGÊNCIA!

Toda a gente quer marcar banho para o cão e para o gato! Toda a gente quer a bichesa cheirosa e penteada para receber os primos que vêm de fora! Então, ligam na quinta-feira às 19:58, que foi quando acabaram de fazer as rabanadas e de trocar mais uma vez a água ao bacalhau e dizem-nos “Precisava mesmo de um banho e tosquia para amanhã!!!”. Ora bem… Tal como este cliente se lembrou que “bonito, bonito era o Bobby estar lindo e cheiroso e não estar cheio de chocas até crescerem colónias de mexilhões nas suas remelas (que por acaso, também já não são limpas desde Agosto)”, já mais 1500, dos nossos 6000 clientes se lembraram disso antes, pelo que… A agenda está cheia!

E é aqui que começam os nossos pedidos de desculpa, tentamos explicar que é uma época em que há muita procura para este tipo de serviços… Blá blá blá… Até que, do outro lado do telefone, vem ao de cima todo um profundo espírito natalício e começam os insultos e as ameaças, típicas da época (pelo menos para nós enfermeiros veterinários) e então ouvimos que somos “preguiçosos”, que “não devemos precisar do dinheiro”, que “vão já marcar noutro sítio e nunca mais voltam a ligar para nós”… E aqui caros colegas, aqui é o momento em que trincamos a língua para não dizer “BOA SORTE COM ISSO!” e com a nossa vasta experiência para manter a calma em situações de stress (afinal nós trabalhamos com urgências!) terminamos o telefonema com um sincero e educado “Feliz Natal!”. E não vale mesmo a pena perder a cabeça, porque provavelmente o cliente está a descompensar por ainda ter que ir fazer o pão-de-ló, os sonhos e o leite creme e está só a descarregar na pessoa errada. Regra geral liga no dia seguinte e agenda a tosquia para a próxima semana.

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O mês das intoxicações, gastroenterites e corpos estranhos!

Sim, o mês de Dezembro é um mês em que o vómito e a diarreia abundam no dia-a-dia de um enfermeiro veterinário!

Na categoria das intoxicações os vencedores são os chocolates e os anti-depressivos! É inacreditável a quantidade de Bobbys e Tarecos que comem, caixas inteirasimage-1 de chocolates, ou caixas inteiras de anti-depressivos que as mães enfardam “às pázadas” na época natalícia para aturar o marido, os sogros, os pais, os tios e ainda o raio dos sobrinhos todos enfiados lá em casa (isto enquanto fazem as rabanadas, os sonhos, a aletria, o leite creme, o pão-de-ló e o raio do bacalhau). Neste tipo de situações, às vezes, acho que o animal comeu os medicamentos de forma consciente, porque se calhar efetivamente também estava a precisar…

Na categoria das gastroenterites, damos principal destaque à grande diarreia provocada pelo tio-avô que decidiu dar todas as cascas do meio quilo de queijo da serra que comeu, ao cão. Para prevenir este tipo de situações a melhor solução é arranjar uma forma de prender sozinho numa divisão, durante os dias de festa… O tio avô, claro!

E por último, na classe dos motivos para ir ao veterinário que envolvem vómitos e diarreias, temos o belo do corpo estranho! No Natal há todo um role de coisas que os nossos animais vão achar super apetitosas e que lhe vão entupir a canalização! As nozes (com casca), os acessórios da Barbie, as rolhas das garrafas, as fitas dos embrulhos, as meias que a vizinha insiste em nos oferecer todos os anos ou até a lingerie sexy de mãe-Natal, cheia de fitinhas e pompons que até estava escondida no armário, mas eles dão sempre com ela e acham um piadão!!! É surpreendente a quantidade de coisas que eles encontram e decidem engolir, mas mais surpreendente ainda é ver a cara dos donos quando trazemos o “Corpo Estranho” numa bandeja no final da cirurgia.

O mês das primeiras (e únicas) consultas com a família toda!

Yeeeeaaaah, temos um animalzinho novo na família, porque é a prenda de Natal do príncipe e da princesa lá de casa! E é uma alegria! Vem um animal de 450g e 5 pessoas à consulta! Quase nem cabem no consultório e até se matam para ver quem pega no bichinho ou que nome vai ficar no boletim de vacinas. Um momento único! Pois, uma vez apanhados os príncipes e princesas dentro da clínica, há que aproveitar cada segundo para lhes enfiar cérebro a baixo o máximo de informação e sentido de responsabilidade, pois esta, meus amigos, será uma oportunidade única! Será, muito provavelmente, a única vez em que eles lá vão pôr os pés! Todas as próximas visitas serão apenas da mãe dos príncipes, com o animal. Uma mãe cansada, porque tem que fazer tudo em casa, ir buscar e levar os filhos à natação, ao karaté, ao futebol, ao concerto do Justin Bieber e da Violeta e ainda tratar de tudo do cão, pois os filhos apenas se entusiasmaram na primeira semana. Muito raramente os príncipes poderão fazer breves aparições, mas estarão com phones nos ouvidos, tablet na mão e cara de frete. Cuidado, o príncipe é um bicho que tende a ser agressivo e mal educado quando abordado neste tipo de contexto.

O mês das consultas que deveriam ter sido marcadas há meio ano… E das eutanásias!

E termino este meu relato do que é o mês de Dezembro para um Enfermeiro Veterinário, com o tópico que, não tem nada de cómico, nem há forma de o tornar mais agradável, mas que é um verdadeiro flagelo das épocas festivas. A eutanásia por conveniência!

Este é um dos presentes típicos do mês de Dezembro que mais me custa a engolir… Aquele cliente que vem com o animal à consulta, pura e simplesmente porque vai ter convidados no Natal em casa e percebeu que eles iam ter pena ou nojo do animal (dependendo do carácter do convidado). Então decide finalmente ligar para marcar uma consulta. Ao telefone fala logo em eutanásia e a maior parte das vezes diz mesmo que “parece mal ter o animal assim em casa” ou chega mesmo a afirmar que “estava à espera que ele morresse, mas ele nunca mais morre…”. Agenda então a consulta e leva o pobre do bicho ao veterinário, entra na recepção, e o animal ou vem com um problema dermatológico tão grave que já quase nem pêlo tem (este é o tipo de doença que mais “parece mal” ter em casa) ou vem com um tumor do tamanho de uma bola de basket… Mas, na anamnese, juram sempre que o problema apareceu há coisa de, no máximo, 3 dias!

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Estes são apenas alguns dos pontos que iluminam o mês de Dezembro de um enfermeiro veterinário! Um mês em que raros são o dias em que chegamos a casa a horas de ver a família acordada ou com forças para fazer seja o que for, mas todos as manhãs acordamos com energias renovadas e, pelos nossos pacientes, damos o nosso melhor, sempre  “com amor, humor e saber”!

Feliz Natal a todos os enfermeiros veterinários!

Enfermagem Veterinária · Humor

Enfermagem Veterinária For Dummies

(Quaaaaaase) tudo o que precisas de saber!)

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V_1.0 Spice Girls ou backstreet boys ou abba

“Minha querida Ana, escrevo-te estas linhas” em primeiro para te pedir desculpa pelo atraso, era suposto ser em Junho, não era?! E em segundo para agradecer o voto de confiança, por achares que tenho algo para ensinar/transmitir à malta jovem, a.k.a. “Estagiários”.

Ora bem, para quem está agora a começar nesta vidinha, sim não pensem que é VIDA no seu esplendor, ser Enfermeiro@ Veterinári@ não é “fofinho”, não é “das 9 às 16”, vai consumir muito do vosso tempo e seguramente não vão ficar ricos a exercer a profissão, ou melhor “as profissões”, pois Enf Vet que se preze faz muito mais que enfermagem, faz jardinagem, faz petsitting, faz contabilidade, faz groomimg, faz limpezas, faz terapia, faz “fisioterapia”, faz de “anestesista”, faz de rececionista, faz café, chá, vai buscar copos de água, mas no final das contas se fizerem aquilo que realmente gostam o balanço é sempre positivo!

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Pssst…E querem saber quando é se apercebem que gostam mesmo daquilo que fazem??! É quando no final de um “típico” dia de Agosto (30ºC à sombra, com 4 tosquias, 5 cirurgias e magotes de seres ”Made in Portugal” exportados a invadem a clínica, no sentido positivo da coisa), ainda conseguem vocalizar (não lhes chamemos cantar) o “I Will Survive” ou o “I Will Always Love You” em plenos pulmões enquanto empunham corajosamente uma mopa/vassoura de sorriso nos lábios como se de uma Excalibur ou quiçá de um microfone se tratasse, às 22h quando têm de entrar às 8h do dia seguinte, e ainda têm meia horita/45min de chão para limpar…é aí que se faz o “clique”, é aí que sai um “And IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII….will al-ways loooove youuuuUuUuUuh”.

No entanto nada disto faz sentido se a “banda” não acompanhar, pois para que isto se dê tem de haver alguém em uma qualquer outra divisão da clínica que continue a música quando vocês se calam, na maior parte das vezes porque a letra falha ou será a memória?! Hum… (Já diziam os sábios Queen: “The show must go on”). Clichê ou não “team work make the dream work” quer seja o enfermático (sim enfermático e não informático, enfermático de enfermagem), o higiénico ou o musical. E das duas uma: ou vocês são muito bons cantores a solo ou precisam de uns bons “back vocals” que se atiram ao chão por vocês como se de um jogo de basebol se tratasse, e vice-versa, shhhhhh… os “meus” eram do catano (para não dizer algo mais forte que possa ferir suscetibilidades) cheios de “soul”, cheios de “groove”, metaforicamente “negros”, (se bem que há lá umas que ficam literalmente negras quando a vitamina D entra.) como só os “negros” entendem o Jazz, o Soul o R&B. Encontrem uma banda assim e agarrem-se como carrapatos atrás das orelhas das meninas da Ribeira do Sado e ponham o vosso “blood, sweat and tears” on it. (Nota: para aqueles que não têm “música ambiente”, ponham e serão muito mais felizes e desafinados. Não há nada como bater o pezinho numa tosquia/cirurgia e também não há nada como um telemóvel dentro de um copo. hashtagficaadica). #girlsband #spicegirls

“Não percam os próximos episódios, porque nós (pausa) também não!”

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Amor · Enfermagem Veterinária

Quando decidi tirar o curso de Enfermagem Veterinária… – Por Paula Silva

Quando decidi tirar o curso de Enfermagem Veterinária provavelmente foi como a maioria dos meus colegas: adorava animais, não tinha média para Medicina Veterinária e vi nele uma oportunidade para fazer o que realmente gostava.

Foi uma das melhores decisões que tomei até hoje pois aí conheci pessoas fantásticas, entre colegas e professores, que vão ficar para o resto da vida porque me proporcionaram anos memoráveis.

Também durante o curso fui voluntária numa Associação de Animais Abandonados em Viseu o que foi sem dúvida uma escola de vida e como apaixonada por animais que sou, claro que vieram comigo dois dos meus amores: a Ritinha e a Princesa.

Ritinha e Princesa

Tive a sorte de começar a trabalhar 2 meses após terminar o curso, não foi um final fácil pois nessa altura perdi um dos meus pilares, o meu pai. Tive de reaprender muita coisa com essa ausência…

Comecei então a trabalhar, no início pensava “será que vou ser capaz”, “como faço isto”, muitas dúvidas se instalaram naquela altura. Mas com a ajuda preciosa de toda a equipa médica ao qual até hoje só tenho a agradecer por terem contribuído para o meu crescimento tanto a nível profissional como pessoal e que hoje posso chamar de amigos, encontrei o meu lugar no CAMV e naquela equipa.

Fui a primeira enfermeira a ser contratada naquele CAMV, comecei por ter funções que incluíam internamento (entrada de animais, cateterização, cálculos dos fármacos, fluidoterapia, administração dos mesmos, exames físicos, higiene e alimentação dos pacientes, preparação da alta), banhos e tosquias, apoio à cirurgia (que passava por análises pre-anestésicas, preparação sala de cirurgia, do animal, responsável pela anestesia, circulante, recobro do animal e claro limpeza e organização da sala), encomendasreceção. Aos poucos foram entrando mais colegas, atualmente somos 4 enfermeiras, o que para mim é um orgulho, um reconhecer da nossa profissão. Quer dizer que a primeira experiência daquele CAMV com a classe foi positiva e uma mais-valia!

Com o passar do tempo fui deixando o tratamento dos animais e fizeram-me uma proposta para ajudar na parte da administração e gestão do CAMV. Estaria mais tempo na receção, contato direto com os tutores, gestão de encomendas, stocks, reunir com fornecedores, contabilidade, realização de protocolos, check-lists, orientar as minhas colegas nas diversas tarefas com os animais (sem o contacto direto com os mesmos), mudar lâmpadas e o que mais queiram imaginar. Não vou dizer que no início não me custou mas aceitei de imediato sem ter necessidade de pensar pois adorava trabalhar naquele local e com aquelas pessoas.

Aprendi com esta mudança que o trabalho que faço é tão ou mais importante que o anterior pois para os animais terem os melhores cuidados possíveis é necessário uma gestão enorme nas mais variadas áreas e é importante que tudo esteja a funcionar corretamente para quem esta “lá trás” não tenha que se preocupar uma única vez se vão ter o material necessário, o fármaco necessário ou se as coisas vão estar no sítio correcto.

A visão que tinha quando terminei o curso não era exatamente esta mas sinto a mesma realização profissional que tinha traçado como objectivo na minha vida.

Ser Enfermeiro Veterinário não é só cuidar de animais, na verdade somos muito mais versáteis. Temos a capacidade de ser o “POLVO” do CAMV.

Somos uma classe em crescimento, uma mais-valia para todos os CAMV.

Chamo-me Paula Silva e sou Enfermeira Veterinária há 7 anos no Hospital Veterinário da Maia  e tenho muito orgulho nisso.E.V. Paula Silva

Cuidados de Enfermagem · Enfermagem Veterinária

Efusão pleural e dreno torácico: contribuição do E.V. – por Irene Silva

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O que é uma efusão pleural?

Uma efusão pleural trata-se de uma acumulação de fluido ou ar no espaço intratorácico. Designa-se por pneumotórax quando há uma acumulação de ar, hemotórax se for sangue, quilotórax se for quilo e piotórax se for pús.

Quais os sinais clínicos?

Os sinais clínicos mais frequentes são:

– Dispneia;

– Tosse;

– Taquipneia;

– Panting (respirar com a boca aberta);

– Mucosas cianóticas;

– Intolerância ao exercício;

– Falta de energia e de apetite;

– Letargia.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através da história clínica, sinais clínicos, exame de estado geral e raio-x.

A radiografia deve ter, idealmente, 3 apresentações: a dorso-ventral ou ventro dorsal, lateral direita e esquerda. Em casos que o animal esteja muito dispneico a manipulação durante o posicionamento radiográfico pode constituir um risco, contudo se for feita a suplementação com oxigénio através de máscara aquando a manipulação o comprometimento respiratório diminui. Quando nos é apresentado um paciente com maior stress respiratório, a posição ventro-dorsal não é aconselhada, no entanto quando não houver dispneia já pode ser feita. Se o disparo for feito no pico expiratório ajuda a delinear a efusão.

Temos como diagnóstico diferencial qualquer causa de stress respiratório.

O que é um dreno torácico e para que serve?

Um dreno torácico é tubo de plástico que se insere através de um orifício no tórax até ao espaço pleural. Tem como função retirar ar ou fluido presente na cavidade intratorácica.

Qual o material necessário para a drenagem no caso de efusão pleural?

– Kit de drenagem (como por exemplo o pleuracan da Braun);

– 3 tubos de recolha (um com EDTA, um com heparina e um tubo seco);

– Pano de campo;

– Lâmina de bisturi;

– Fio de sutura;

– Luvas esterilizadas;

– Material para penso;

– Pinças de campo;

– Material para assepsia;

– Seringas de diferentes calibres.

Notas:

Se se desconfiar da presença de fluido purulento deve-se colocar à disposição material para posteriormente se fazer cultura e antibiograma.

No caso de não haver um kit de drenagem podemos fazer um com um tubo de drenagem, uma torneira de 3 vias, agulha/cateter/buterfly (19 a 23 gauges).

Quais os cuidados pré-anestésicos e pré-cirúrgicos que devemos ter?

Antes do procedimento devem ser feitas análises sanguíneas, oxigenoterapia para melhorar a dispneia e a fluidoterapia também é aconselhada. Anteriormente anestesia/sedação do animal deve ser feita a tricotomia, a preparação do material e a assepsia. A monitorização dos sinais vitais deve ser feita ao longo destas etapas assim como durante toda a cirurgia e no pós-cirúrgico.

Quais os cuidados pós-cirúrgicos?

Logo após o procedimento deve ser feito um penso para os tubos de drenagem ficarem protegidos e para impedir que se desloquem. A administração de analgésicos e de antibiótico é aconselhada. A colocação do colar isabelino deve ser feita apenas se necessário, pois alguns animais podem sentir-se mais nervosos e agravar a sua situação respiratória. Por vezes depois da cirurgia, ou até mesmo durante, os animais podem ficar hipotérmicos nesse caso deve-se colocar botijas de água quente e/ou cobertores para reaquecer os pacientes. Outro cuidado fundamental é sem dúvida a radiografar a região para verificar se a colocação do dreno está correta.

Quais os cuidados a ter com o dreno torácico?

É importante após a colocação do dreno fazer uma monitorização da quantidade de fluido que é retirada e da coloração que apresenta. No caso de ser exsudado purulento séptico: limpezas diárias devem ser efetuadas, injetando soro fisiológico, à temperatura corporal, através do tubo e depois de agitar um pouco o animal (para que o soro chegue a todos os pontos do toráx) retirar a mesma quantidade injetada. Já o penso deve ser mudado diariamente ou de 2 em 2 dias.

Caso clínico

O Xicão é um felídeo, macho castrado, europeu comum, de 9 meses e de 3,450 kg de peso vivo. Foi internado devido a uma gastroenterite, contudo, passados dois dias começou a ter dificuldades respiratórias, apresentando como sinais clínicos taquipneia, respiração abdominal e uma severa dispneia.

Desconfiou-se então de se tratar de uma efusão pleural. O diagnóstico da efusão pleural foi feito através da história clínica, exame de estado geral e radiografia do tórax dorso-ventral / latero-lateral.12787482_10154648808593677_260436635_o

Contactou-se a proprietária do Xicão a comunicar o diagnóstico de efusão pleural, pedindo autorização para a colocação do dreno torácico e alertando para os riscos e custos que a sua colocação acarreta, mas também para o risco de vida caso não se fizesse nada. Depois de a proprietária autorizar seguiu-se para cirurgia de imediato.

Posteriormente à cirurgia contactou-se novamente a proprietária a informar que a cirurgia tinha corrido bem e que o Xicão iria ficar internado para continuar a drenar o restante fluido, para limpeza e para observação.

Depois de 3 dias internado, o Xicão recuperou totalmente e foi lhe dada alta.

Irene Silva, E.V.

 

Amor · Enfermagem Veterinária

Ser Enfermeira Veterinária de Zoo – Por Sara Cuco

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Quando surgiu a oportunidade de fazer o meu estágio de final de curso num zoo nem hesitei e a maior surpresa veio mais tarde quando surgiu a oportunidade de ficar.

Aquela sensação que é entrar num zoo e é simplesmente fantástico? Bem, esse é o meu sentimento todos os dias! Aprecio muito o meu trabalho e cada dia é um desafio constante.

Os dias começam como todos os outros, a cuidar dos meus internados. Fazer a pesagem diária, avaliar os sinais vitais, administrar as medicações destinadas a cada um e deixá-los confortáveis. Quando é necessária uma contenção existe sempre um tratador para me ajudar.

Num zoo os tratadores são as pessoas que passam mais tempo com os animais. Conhecem as suas rotinas e conhecem cada um deles. Por marcas, por diferenças de pêlo ou outras carateristicas. E fazem parte da sua rotina diária deles. “Soltam-nos” de manhã, dão-lhes a comida, fazem-lhes a cama e no fim do dia recolhem-os para dentro. É em conjunto com a equipa de tratadores que a equipa veterinária funciona. Cada vez que existe a necessidade de se fazer qualquer tipo de procedimento o tratador é o nosso apoio e é a pessoa em quem depositamos a nossa confiança. E é com a ajuda dele que fazemos o nosso trabalho. Por exemplo, nas medicações que são administradas oralmente, como comprimidos ou xaropes, a equipa veterinária apenas prepara a medicação, e o tratador é que a dá ao animal. A equipa veterinária está presente, se algo correr mal ou for necessária outra abordagem. O trabalho de equipa é bastante importante!

Mais no que diz respeito às minhas tarefas, eu estou responsável por manter uma boa gestão da clínica, nos stocks ou na esterilização de material, e por manter a higienização dos espaços e dos materiais utilizados para o controlo dos animais.

E como às vezes surgem imprevistos, tento sempre manter a clínica preparada para uma emergência e assim como a mala de campo onde está tudo o que é necessário para que não falte nada no terreno.

Como é um trabalho exigente tento sempre manter-me atualizada. São muitas espécies diferentes e tenho tido a oportunidade de estar sempre a trabalhar com espécies novas. Tento ler o máximo possível e também procurar mais informação com profissionais que estão na mesma área, neste caso colegas que trabalham noutros zoos.

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E claro, existem sempre momentos que nos marcam e animais com quem nos identificamos mais.

Um dos grandes desafios foi o de um lémur branco e preto que não tomava a medicação. E durante 7 dias eu arranjei 7 formas diferentes para que ele tomasse o comprimido. Até que descobri que ele adorava tomate cherry. E a partir daí o meu trabalho ficou muito mais fácil. Passados alguns meses um outro lémur preto e branco adoeceu, e foi necessária uma nova abordagem. Todos os dias se tentava algo novo. E felizmente eu conseguia enganá-lo.

E o enfermeiro pode fazer um pouco de tudo. Desde ver nascer uma cria, observar os seus passos, ver como está a crescer e se está a desenvolver-se bem. Mais tarde é gratificante vê-la na instalação para o público a conhecer e sentir que todo o trabalho foi recompensado.

Mesmo pensando que não existe uma ligação tão forte com estes animais ela existe. É ver um leão a correr a par connosco, chamar uma girafa para ela vir comer na nossa mão, fazer festas a um tapir até que ele se deite e dê inclusive fazer colheita de sangue.

Desafios do dia-a-dia e que o enfermeiro veterinário, neste caso o de zoo, está disposto a aceitar!12421987_1231160650250561_132285109_o

Pratico a profissão com gosto. E gosto de todos como se fossem meus.

Resumindo, entro todos os dias no meu trabalho com aquele sentimento que todos temos quando vamos a um zoo. Simples felicidade!

Sara Cuco, E.V.

Amor · Cuidados de Enfermagem · Enfermagem Veterinária · Geriatria

Cuidados no fim da vida. A importância de um Enfermeiro Veterinário preparado – Por Ana Sêco

Na nossa prática clínica estamos sempre com o tempo contado e a fazer mais do que três coisas ao mesmo tempo, mas quando diz respeito à eutanásia de um paciente, não existe tempo… Tudo pode esperar, necessitamos apenas da nossa compaixão, educação e comunicação com o tutor em luto.

O termo eutanásia vem do grego “eu” que significa boa e “thanatos” que quer dizer morte. O que se pretende sempre numa eutanásia é que seja uma morte boa, suave. Cada animal e seu tutor têm um processo individual de reagir ao fim da vida, por isso não existe uma única abordagem que sirva para todos.

Os cuidados no fim da vida dos nossos pacientes são extremamente importantes, e devem ser realizados de maneira planeada, cuidadosa e de acordo com as convicções do tutor. Uma eutanásia personalizada a cada caso, permite que a família viva o luto pela perda do seu animal de companhia de uma forma saudável e que a lembrança do CAMV seja de conforto e gratidão.

A postura da equipa, em todos os momentos deve ser de eficiência, flexibilidade, empatia e de não julgamento.

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Os cuidados no fim de vida dividem-se em 4 grupos:

  1. Conversa pré-eutanásia
  2. Preparação da eutanásia
  3. Eutanásia
  4. Pós-eutanásia

Conversa pré-eutanásia

Se for uma eutanásia não iminente, esta conversa poderá ser realizada pelo médico veterinário no dia anterior ao procedimento ou então momentos antes.

A linguagem deve ser clara e simples e o tom de voz calmo e baixo pois o tutor está em choque na aproximação da perda do seu animal de companhia. É muito importante para o tutor que seja um médico veterinário que ele conheça e que esteja familiarizado (isto pode acontecer em hospitais de grandes dimensões).

Nesta conversa é explicado o procedimento, que o animal não sofre e que é de rápido efeito. Tem de se informar para as possíveis respostas fisiológicas que o animal pode demonstrar depois da eutanásia como a respiração agónica e o não fechar dos olhos. Lembrem-se que os especialistas somos nós, equipa veterinária, eles não sabem e têm de ser informados antes que aconteça!

Devemos perguntar se o tutor tem algum pedido especial (ex: deitar o animal na manta dele ou fazer-se acompanhar pelo seu brinquedo favorito) e se pretende ou não assistir.

Deve-se esclarecer com o tutor o destino pretendido com o corpo do animal, explicar as várias opções (cremação coletiva vs cremação individual) ou se o animal vai ser enterrado pela família. Nunca assumam o que o dono pensa, nunca deduzam que estes não têm capacidade financeira seja para o que for! Devem dar as opções de forma clara e esperar pela resposta.

É mais fácil tratar da burocracia nesta altura em que o tutor está mais tranquilo e composto. O termo de responsabilidade autorizando a eutanásia é assinado pelo tutor assim como o pagamento do serviço ou se houver confiança e possibilidade combinar o pagamento para os dias posteriores.

Preparação da Eutanásia

Aqui o papel do enfermeiro veterinário é essencial para que tudo corra bem e que o tutor sinta que tudo foi feito da maneira mais cuidada. Que esta seja uma lembrança triste mas apaziguadora de um CAMV que esteve sempre presente nos bons e maus momentos.

Sempre que possível devemos fazer a marcação da eutanásia (quando esta não é feita de urgência!) mesmo que no local onde trabalhamos não tenham por hábito fazer marcações. Assim conseguimos ter a receção controlada e com pouca gente para ser menos demorado e doloroso para o tutor. Se isto não for possível não deixem o tutor e seu animal à espera na receção. Os nossos pacientes nem sempre vêm por maus motivos visitar-nos e há sempre risos e conversas triviais que o tutor não vai querer presenciar. Assim que ele entre no CAMV, vá ao seu encontro e encaminhe-o para uma sala à parte.

A sala onde se vai proceder à eutanásia deve ser silenciosa, com pouca luz, acolhedora (com uma cama para o animal e uma cadeira para o tutor) e deve estar equipada com lenços e um espelho para que o tutor se possa recompor após a perda do seu animal. De preferência, esta sala dever ter uma saída própria para o exterior para que o tutor não passe pela receção na sua saída.

Mesmo que no procedimento só esteja envolvido um médico veterinário e um enfermeiro, é obrigatório avisar toda a equipa qual o animal a ser eutanasiado, da hora e em que local vai ser feito. Assim evitamos barulhos e interrupções na sala onde o tutor está com o seu animal e todos estamos mais sensibilizados para o que está a acontecer. Pode-se também colocar um aviso na porta da sala para que ninguém entre nem se faça barulho nas suas imediações.

Eutanásia

O cateter deve ser colocado num membro posterior (sempre que possível) para que o seu tutor fique em contacto com a cabeça do seu animal e possa confortá-lo em todo o processo.

O médico veterinário deve mais uma vez pedir autorização para proceder à eutanásia.

Após a confirmação do óbito e esta confirmação deve ser clara para o tutor, damos as condolências e saímos da sala.

É muito importante dar tempo para o dono se despedir (atenção que ele pode querer fazer em vida!).

O enfermeiro veterinário deve voltar à sala e saber se o tutor necessita de alguma coisa e depois acompanhá-lo à saída (mais uma vez o ideal será o tutor não passar pela receção).

Pós-eutanásia

Esta parte é de extrema importância e a falha de uma destas tarefas pode ser o suficiente para o tutor nunca mais voltar ao vosso CAMV.

Atualizar a ficha do cliente e desativar os lembretes para as desparasitações, vacinas ou outros procedimentos de medicina preventiva que estejam marcados.

Preparar e enviar um cartão de condolências para o domicílio do tutor no dia seguinte. Esta lembrança pode ser um cartão, um marca páginas, uma foto, pisa papéis.

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Pode-se também fazer um telefonema 3-5 dias após a eutanásia apenas para lembrar que o CAMV está sempre disponível para qualquer necessidade e que não está sozinho nesta dor.

Em suma, é essencial estarmos preparados para promover os melhores cuidados no fim de vida que os nossos pacientes merecem. A lágrima podemos não conseguir controlar mas existem tantos outros fatores que podemos trabalhar para que o tutor guarde esta lembrança com conforto e gratidão pela equipa que ele escolheu para cuidar (na saúde e na doença) do seu melhor amigo.

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Ana Sêco E.V.

Amor · Enfermagem Veterinária · Luto

O papel do Enfermeiro Veterinário no Luto do Tutor – Por Filipa Queirós

Tal como já foi abordado no artigo “Compreender o Luto na Perda de Um Animal de Estimação”, existem enormes similaridades entre o luto após a perda de um ser humano querido e de um animal de estimação. Por isso, devemos estar preparados para ajudar os tutores dos nossos pacientes e saber exatamente o que podemos e não podemos dizer nestas situações.

  1. Nunca digas “Tenha calma! Não é o fim do Mundo!”

Às vezes, com o nervosismo do momento, quando somos menos experientes, ou quando nos parece que a reação do tutor está a ser exagerada, podemos cair na tentação de tentar “desvalorizar” a situação e assim apaziguar o sofrimento do tutor. O que está completamente errado!

O primeiro passo para conseguir lidar com os sentimentos na perda de um animal é a aceitação do luto, por isso, nunca se deve desvalorizar a perda ou considerar que os tutores não têm o direito de fazer o luto que bem entenderem. Apesar das pessoas que os rodeiam muitas vezes não perceberem, os sentimentos do tutor são perfeitamente aceitáveis, dada a ligação que tinha com o seu animal.

Por vezes, os próprios tutores podem ficar algo surpreendidos e envergonhados com a dimensão do seu sofrimento perante a perda do seu melhor amigo. Por isso devemos, não só não desvalorizar os sentimentos dos tutores, mas também mostrar compaixão, partilhar histórias em que enfrentamos sentimentos semelhantes e fazer tudo para que o tutor se sinta confortável em expressar a sua dor, e perceba que ela é normal e natural.

“Amou profundamente o seu animal enquanto ele esteve consigo. E ele retribuiu com o seu amor incondicional. Não há nenhum motivo para ter vergonha disso, muito pelo contrário!”

Os tutores podem mesmo reprimir as suas emoções e frequentemente chegam a afirmar que não épet-loss-18340256 aceitável o que sentem, pois não tiveram sentimentos de perda tão fortes com a partida de humanos próximos (amigos, conhecidos, familiares).

“Não compare a perda do seu animal com nenhuma outra perda. São situações diferentes, e cada uma delas exige o seu luto.”


  1. Nunca digas “Quando está a pensar adotar outro animal?”

Cada animal é único e tem características únicas. Sugerir a adoção de um novo animal, pode ser visto como a procura de um substituto, o que está sujeito a não ser bem aceite pelo tutor. Devemos deixar o tutor ultrapassar a sua perda e fazer o seu luto antes de sugerir a entrada de um novo animal na família.

E o que dizer quando o tutor quer, imediatamente adotar um novo animal? Muitas vezes no mesmo dia em que o seu animal partiu, perguntam-nos se temos animais para adoção. A verdade é que cada um tem a sua forma de ultrapassar a dor mas, não devemos encorajar a adoção imediata de um novo animal. O tutor deve ter tempo para fazer o seu luto e encontrar algum equilíbrio emocional até estar preparado para receber um novo animal na sua família.

“Ele é único e insubstituível. Assim como a sua personalidade e os laços que criou consigo. Precisa de se preparar emocionalmente para receber outro animal em casa.”

Existe também o reverso da medalha: o tutor que perante o sofrimento que está a vivenciar, não consegue parar de dizer que nunca mais irá ter nenhum animal. Nestas situações é necessário que a pessopaw-and-hand-prints-in-sanda perceba que foram muitos mais os momentos de felicidade que ambos vivenciaram do que os de tristeza e que, certamente o seu coração será grande o suficiente para conseguir amar outro animal.

“Estaria disposto a abrir mão de todos os bons momentos que passou com o seu animal só por saber que ele um dia iria morrer?”

 

  1. Nunca Digas “Já sabíamos que mais cedo ou mais tarde isto iria acontecer…”

Quando o tutor está em sofrimento pela sua perda, a última coisa que ele precisa é que o lembrem na inevitabilidade da morte do seu animal. Em vez disso, devemos realçar tudo o que ele fez pelo seu animal e, no caso de a morte ter sido por eutanásia, relembrar como foi importante a tomada de decisão, em conjunto com a equipa médico-veterinária, permitindo assim um partida digna e sem sofrimento ao seu melhor amigo.

“Fez tudo o que podia. Agora ele está num sítio melhor, sem sofrimento. Esta decisão (eutanásia) foi muito importante e um grande gesto de amor, porque ele estava a sofrer.”

  1. Nunca cometas o erro de “despachar” um tutor após a perda do seu animal.

Quando o tutor perde o seu animal, deves tentar resguarda-lo o máximo possível. Muitas vezes cabe-nos a nós, enfermeiros veterinários, tratar das burocracias da receção: providenciar autorizações de eutanásia para ser assinadas, explicar as contas e tratar do seu pagamento antes do cliente sair da clínica… Qualquer alternativa é melhor do que ter um tutor lavado em lágrimas a ser atendido à pressa, numa receção cheia de gente. Por isso, tenta levar o tutor para um local o mais calmo e privado possível, e leva contigo toda a papelada que necessitas e, principalmente leva contigo algum tempo e calma. Mesmo que não te sintas confortável com a situação, porque a perda dos nossos pacientes também nos afeta, não apresses a saída do tutor. Dá-lhe espaço e silêncio para que se sinta à vontade para partilhar os seus sentimentos contigo, caso assim o entenda.

  1. Nunca digas a uma criança “Não chores!”

As crianças sofrem tanto quanto os adultos com a perda do animal de estimação. Com elas, devemos ser honestos e verdadeiros e não tentar ocultar a partida do animal. É importante que elas percebam que o animal não irá voltar, mas que a culpa não é, de modo nenhum, deles. As crianças devem ser encorajadas a partilhar os seus sentimentos, sem qualquer vergonha, e a fazer o seu luto. É essencial relembrar os pais que não devem arranjar de forma precipitada um animal para “substituir” o que partiu. Tal como os adultos, as crianças devem ter oportunidade de fazer o seu luto.

Deve falar com as crianças de forma clara e sincera, não deixe espaço para que fiquem a imaginar factos e explique-lhes que a culpa não é delas. Deixe-as chorar e conforte-as. Diga-lhes que não tenham vergonha do que estão a sentir e encoraje o seu luto pela perda do animal.

  1. Não alimentes a raiva do tutor!

Devemos estar preparados para ajudar os tutores que se sentem incompreendidos. Eles sabem o amor que temos pelos animais e sabem que podem recorrer a nós para receber alguma compreensão ou para partilhar a sua revolta para com as pessoas que não aceitam o seu luto. A raiva é uma das fases do processo normal do luto e pode ser direcionada a estas pessoas. Devemos sempre tentar que o tutor perceba que as pessoas que proferem palavras como “é só um animal”, na verdade só querem ajudar. Provavelmente nunca vivenciaram a perda de um animal, ou nunca amaram e foram amados por um animal. Devemos tentar fazer o tutor compreender a posição destas pessoas e encorajá-lo a procurar alguém que perceba o que estão a sentir e não tente apenas resolver tudo rapidamente.

“Perdoe-os pela ignorância… É pena que ainda não tenham tido oportunidade para criar laços com um animal de estimação, mas se assim é, é natural que não percebam o que está a sentir. Pode ser que um dia ainda venham a compreender!”


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Por estarmos, muitas vezes, mais acessíveis que o médico veterinário, por criarmos uma ligação mais forte com os tutores e por ser tão visível o nosso amor e carinho pelos animais, muitas vezes os tutores irão recorrer a nós para conforto e aconselhamento na hora da partida do seu animal. Cabe-nos estar preparados com o conhecimento e a força emocional para os apoiar nestes momentos tão difíceis.

Filipa Queirós